A internet é
extraordinariamente abrangente e generosamente democrática.
Permitindo a todas as pessoas o direito de manifestar suas opiniões
e expressar seus sentimentos. Para inaugurar esse nosso espaço,
recorro à sabedoria milenar que nunca me permitiria um deslise no
trato com a essência humana que está em todas as pesoas. De acordo
com a dramaturgia, personagem não tem sexo, nem cor, ou forma. São
apenas conjuntos arquetípicos que servem de plataforma para
materializar o universo da fantasia. Os gregos acreditavam que a
terra fosse chata e redonda, e que seu país ocupava o centro da
terra, sendo seu ponto central, por sua vez, o monte Olimpo,
residência dos deuses, ou Delfos, tão famosos por seu oráculo. A
morada dos deuses era o cume do Monte Olimpo, na Tessália. Uma
porta de nuvem, da qual tomavam conta as deusas chamadas Estações,
abria-se para permitir a passagem dos imortais para a terra e para
dar-lhes entrada em seu regresso. A partir das fantasias geradas
pelas histórias do Olimpo, muitas outras histórias e lendas foram
se acumulando ao longo das civilizações. Todos os fatos registrados
na trajetória de personagens mitológicos, históricos e artísticos,
tratam de acasalamento. Tudo se fez por um grande amor, para um
grande amor ou com um grande amor. A própria mitologia derruba essa
crença de acasalamento heterossexual com a narrativa de Apolo e
Jacinto o primeiro caso de amor homossexual de que se tem notícia.
Assim consta: Alegres e apaixonados Apolo e Jacinto brincam
de arremessar discos, mas Apolo lança um dos discos com muita força
e atinge com a morte Jacinto. Apolo se desespera e carrega o amigo
nos braços, pedindo aos deuses que não o separem de seu amor. Um
pequeno filete de sangue que escorria da testa de Jacinto tinge um
arbusto e nele nasce uma flor roxa, semelhante ao lírio. Essa flor
será o testemunho do amor de Apolo - e ele não se separará mais
dela. Os jacintos nascem na primavera para lembrar o amor de
Apolo. Talvez o institinto maternal de Gaia, arquétipo da
mitologia grega que identifica a grande mãe, possa explicar a
proteção e defesa mútua, sincera e desinteressada dos seres
homossexuais em suas relações de qualquer natureza. A dramaturgia
que um dia foi a arte que divertia os nobres, andou tanto em
círculos e circos e desembarcou no projac com a mais completa
degeneração da arte, banalizada e transformada em crônicas urbanas
do cotidiano, onde qualquer um pode fazer o que quiser desde que
faça apologia da homossexualidade. Seria oportuno rogar a eles ou
elas que comandam tudo, que dispensem uma módica porção dessa
essência protetora para a arte em desfavor do artista. A arte
é suprema, o artista nem tanto.